domingo, novembro 27

IGREJA CATÓLICA E SEXO




Muitas pessoas têm muito preconceito, quanto à visão que a Igreja tem sobre SEXO, acreditam que a Igreja ensina que o Sexo é apenas para a procriação.

Porém, como tudo que se diz sobre a Igreja, não passa de preconceito... Esta visão também é um preconceito.

Mas nada melhor que nos debruçarmos sobre o Catecismo da Igreja Católica (CIC) e nos documentos tão sábios que os Santos Padres e Papas nos têm deixado.

"A Igreja, que 'está do lado da vida', ensina que 'qualquer ato matrimonial deve permanecer aberto à transmissão da vida'. Esta doutrina, muitas vezes exposta pelo Magistério, está fundada na conexão inseparável, que Deus quis e que o homem não pode alterar por sua iniciativa, entre os dois significados do ato conjugal: o significado unitivo e o significado procriador." (CIC)

Quanto a Sacralidade do Ato sexual:

A sexualidade humana é um mistério sagrado que deve ser apresentado segundo o ensinamento doutrinal e moral da Igreja, tendo sempre em conta os efeitos do pecado original. (CONSELHO PONTIFÍCIO PARA A FAMÍLIA SEXUALIDADE HUMANA: VERDADE E SIGNIFICADO / Orientações educativas em família)

O sentido do sexo, além da Procriação:

"O corpo humano, com o seu sexo, e a sua masculinidade e feminilidade, visto no próprio mistério da criação, não é somente fonte de fecundidade e de procriação, como em toda a ordem natural, mas encerra desde 'o princípio' o atributo 'esponsal', isto é, a capacidade de exprimir o amor precisamente pelo qual o homem-pessoa se torna dom e — mediante este dom — atuar o próprio sentido do seu ser e existir'. Qualquer forma de amor será sempre marcada por esta caracterização masculina e feminina." (Idem)

Explicando:

Para a Igreja, o sexo foi feito para a união e unidade do casal, e é claro para geração de filhos. A Igreja entende o sexo, como uma "LITURGIA DOS CORPOS". O casal, para gerar filhos, deve primeiro se doar um ao outro, pelo apor esponsal, dom dado por Deus no Sacramento do Matrimônio.

Ainda o CIC e mais documentos:

"Salvaguardando estes dois aspectos essenciais, unitivo e procriador, o ato conjugal conserva integralmente o sentido de amor mútuo e verdadeiro e sua ordenação para a altíssima vocação do homem para a paternidade." (CIC)

FAMILIARIS CONSORTIO:

"É exatamente partindo da "visão integral do homem e da sua vocação, não só natural e terrena, mas também sobrenatural e eterna", que Paulo VI afirmou que a doutrina da Igreja "se funda na conexão inseparável, que Deus quis e que o homem não pode quebrar por sua iniciativa, entre os dois significados do ato conjugal: o significado unitivo e o significado procriativo". E conclui reafirmando que é de excluir, como intrinsecamente desonesta “toda a ação que, ou em previsão do ato conjugal, ou na sua realização, ou no desenvolvimento das suas conseqüências naturais, se proponha, como fim ou como meio, tornar a procriação impossível."

"Quando os cônjuges, mediante o recurso à contracepção, separam estes dois significados que Deus Criador inscreveu no ser do homem e da mulher e no dinamismo da sua comunhão sexual, comportam-se como «árbitros» do plano divino e «manipulam» e aviltam a sexualidade humana, e com ela a própria pessoa e a do cônjuge, alterando desse modo o valor da doação «total». Assim, à linguagem nativa que exprime a recíproca doação total dos cônjuges, a contracepção impõe uma linguagem objetivamente contraditórias, a do não doar-se ao outro: deriva daqui, não somente a recusa positiva de abertura à vida, mas também uma falsificação da verdade interior do amor conjugal, chamado a doar-se na totalidade pessoal."

Explicando:

A Igreja ensina que a tentativa de se desvencilhar do objetivo último do ato conjugal, que é a união do casal e como conseqüência a continuidade do gesto criador de Deus, que é a procriação, constitui uma imoralidade.

Agora, devem estar se perguntando:

Então devemos ter filhos atrás de filhos sem a menor possibilidade de poder dar-lhes uma vida digna?

Esta pergunta é pertinente, porém, a Igreja tem mais a ensinar:

"Quando pelo contrário os cônjuges, mediante o recurso a períodos de infecundidade, respeitam a conexão indivisível dos significados unitivo e procriativo da sexualidade humana, comportam-se como 'ministros' de plano de Deus e 'usufruem' da sexualidade segundo o dinamismo originário da doação 'total', sem manipulações e alterações." (FAMILIARIS CONSORTIO)

"A continência periódica, os métodos de regulação da natalidade baseados na auto-observação e no recurso aos períodos infecundos estão de acordo com os critérios objetivos da moralidade. Estes métodos respeitam o corpo dos esposos, animam a ternura entre eles e favorecem a educação de uma liberdade autêntica. Em compensação, é intrinsecamente má "toda ação que, ou em previsão do ato conjugal, ou durante a sua realização, ou também durante o desenvolvimento de suas conseqüências naturais, se proponha, como fim ou como meio, tornar impossível a procriação"

Explicando:

A Igreja não é burra, cega e muito menos deseja o mal da humanidade. Tudo o que a Igreja quer, é que o ser humano alcance a Salvação. A sexualidade humana é sagrada, pois é capaz de transmitir a vida. Dom dado por Deus a todos, por gratuidade e amor. Por isso, há maneiras de se ter uma paternidade responsável, vinculada com a necessária unicidade do ato matrimonial e a devida abertura à vida... Dom de Deus, que os esposos não devem ser fechar nunca, sem antes constituir um pecado, o pecado de Não amar a Deus sobre todas as coisas.

Mas e quanto a prática do ato conjugal, muitos se perguntam o que “pode e não pode”, devemos entender que o ato conjugal é um ato como qualquer outro, o que não se deve nunca é subtrair a DIGNIDADE que a pessoa tem. Vou dar alguns exemplos:

Um casal, que fazem o “papai/mamãe” apenas, mas ele pensa em uma outra mulher, ou ela pensa em outro homem, estão em adultério, mesmo tendo recebido o sacramento do matrimônio, isto parece claro, mas há muita gente que se pergunta: “Se não consigo ter atração por meu cônjuge, devo fazer o que?”

Esta pergunta é muito séria, mas de fácil e perturbante resposta: AMOR NÃO TEM NADA A VER POR ATRAÇAO FÍSICA. Ou será que Jesus nos salvou por que “se atraiu” por nós? Claro que não e não há maior amor que o Dele.

Algumas pessoas implicam com o “sexo anal, ‘fetiches’, sexo oral, fantasias e etc..., e dizem que isso é tudo Hedonismo. Porém, não podemos esquecer que todo o nosso corpo é santo. Para entender isso, precisamos nos perguntar muitas coisas.

O que é o “sexo anal e oral”? O ato conjugal, fisiologicamente termina na ejaculação, de preferência de ambos os cônjuges, ou seja, estas modalidades tem em si mesmas o início e o fim do ato, sendo assim, é um pecado, pois não está aberta à geração de uma prole, pois tanto a boca quanto o ânus não permite, em hipótese alguma, o encontro dos gamentas. O ato sexual válido e sadio compreende a ejaculação do esposo na vagina de sua esposa. Tudo fora disso, se enquadra naquilo que Paulo VI chamou de “desonestidade”.

Sabendo disso, os esposos devem se doar, de comum acordo. Aquilo que a esposa quer e gosta, deve ser aquilo que o esposo quer e gosta. Isso não é tão simples assim, mas é com muito diálogo e conversa que se resolve. O problema é que o sexo é mesmo um tabu, até entre os casais mais jovens.

Mas então eu pergunto: “Se beijar a boca “pode”, e passar a mão na face “pode”, por que beijar a vagina “não pode” e passar a mão no ânus “não pode”?

Todo nosso corpo tem pontos erógenos, que devem ser explorados, muitas vezes a “falta de atração” entre os casais, é por que eles estão presos a preconceitos e tabus. Mas como saber?

Ora, em que a boca é mais santa que o ânus? Em que a face é mais santa que a vagina? Deus, em sua infinita sabedoria, fez a mulher como ela é. Toda mulher tem um órgão que é EXCLUSIVAMENTE sexual e nenhum outro animal o possui, apenas a mulher, que é o Clitóris. Este órgão deve ser explorado pelo marido, com todo amor e carinho, pois ele foi feito apenas para isso, mas nós devemos estar atentos, não é por que existe um clitóris que a mulher é obrigada a querer que ele seja estimulado. Por isso, deve existir o DIÁLOGO. O mesmo pode ser aplicado à qualquer outra parte do corpo, desde cabeça, boca, seios... tudo deve se de comum acordo!

Quanto a posições, fantasias e fetiches, o que se percebe, é que muitas vezes, os homens e mulheres pensam ser isso um pecado, por causa da quantidade de material pornográfico que tiveram acesso. Então, após terem sido expostos a este tipo de material, que em si é pecaminoso (pois é concordar com a prostituição – quem assiste faz pior do que quem produz ou atua), associam tudo ao pecado, porém, o que é pecado, na pornografia é assistir, atuar ou produzir, não o que se faz. Claro que existem muito material que exibe zoofilia, pedofilia e necrofilia então estes, até de serem pecaminosos por ser pornografia, também são crimes. Mas fora estas "filias" que são todas patologias, o ato sexual em si, não compreende pecado, o problema é a situação, que sem si é adultério, fornicação, prostituição ou escravidão (estupro).

Mas as posições, fantasias e fetiches que um casal desenvolva, desde que seja sadio, não agredindo o próprio corpo (sadomasoquismo), não retirando a dignidade da pessoa (apelidar o parceiro com nomes de animais ou situação inferior da condição humana como “escravo”) e não perturbando psicologicamente o parceiro são válidos. Devemos lembrar que a Vagina é um órgão interno e que portanto, para evitar infecções e até mesmo o câncer, o esposo deve cuidar e manter seu pênis sempre limpo.

A esposa que compra um espartilho e meias calças, o marido que fuma um cigarro antes de tirar a roupa para a esposa ver ou ambos marcarem um encontro “às escuras”, desde que não atente contra a ordem social ou a dignidade deles não há nada de mal.

Há quem pense que quando cônjuge excita manualmente seu(ua) parceiro(a), isso é masturbação, mas claro que tudo irá depender, se de fato a ejaculação masculina ocorrer, dentro ou fora da vagina. É simples, dentro é válido, fora é pecado. Como foi perguntado acima, aqui eu respondo, não há diferença de boca para o cotovelo, ambos são partes do mesmo corpo e serão santos se a alma é santa e serão pecadores se a alma é pecadora.

Posso estar parecendo exagerado, mas a questão é que a Igreja não prega contra nada disso. Já encontrei tais preconceitos nos discursos de muitos pregadores católicos, porém, nunca encontrei embasamento na doutrina da Igreja, e estou aberto a mudar de posicionamento caso alguém me apresente às devidas referências, pois para mim, o que eu penso deve ser substituído pelo que a igreja ensina, pois somente assim, pode Jesus ser gerado em mim.

Espero não ter ofendido ninguém.

Paz e bem

Um comentário:

  1. Muito bom e esclarecedor, principalmente, prá nós, que estamos sempre expostos a dúvidas de outrem, especialmente, nesse terreno da sexualidade no matrimonio. Valeu, mesmo! Parabéns! Esta bem abrangente... Vá em frente! Abraço.

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Que Deus não permita que a Verdade não seja vista por nossos olhos e nem deixada de ser dita por nossas bocas! Paz e bem